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Livros realizados pelos pesquisadores do NEIP.

Santo Daime: A New World Religion. London, Bloomsbury, 2012.

Andrew Dawson

Santo Daime: A New World Religion deals with a young, exotic and controversial religious movement. Emerging in the Brazilian Amazon in the 1930s, Santo Daime has since spread to many of the world’s major cities. Santo Daime is a mixture of indigenous, popular Catholic, Afro-Brazilian, esoteric, Spiritist, and new age beliefs and activities. Ritual practice is centred on the consumption of a psychotropic beverage called ‘Daime’ which members believe enhances their interaction with the supernatural world. Because Daime is treated as an illegal narcotic in many parts of the world, outside of its Brazilian homeland most Santo Daime rituals are practised clandestinely. This book unites extensive fieldwork experience with an established theoretical background and makes a significant contribution to understanding the contemporary interface of religion and late-modern society. Individualization and religious subjectivism, pluralization and religious hybridism, transformation and detraditionalization, globalization and religious identity, and commoditization and religious consumption are among the many issues engaged by this book.

New Era – New Religions: Religious Transformation in Contemporary Brazil. Aldershot, Ashgate, 2007.

Andrew Dawson

O livro analisa novas formas de religião no Brasil. O Brasil é  o maior e mais vibrante país da América do Sul e está presenciando o crescimento rápido de movimentos religiosos domésticos e internacionais, estabelecidos e novos. No Brasil e no mundo, esses novos movimentos religiosos estão remodelando nossa compreensão acerca da religião e do significado de ser religioso hoje. Para compreender melhor a face mutante da religiosidade do século XXI, o livro relaciona a emergência da religiosidade ‘nova era’ com o contexto mais amplo de transformação social da sociedade contemporânea. The book examines new forms of religion in Brazil. The largest and most vibrant country in Latin America, Brazil is home to some of the world’s fastest growing religious movements and has enthusiastically greeted home-grown new religions and imported spiritual movements and new age organizations. In Brazil and beyond, these novel religious phenomena are reshaping contemporary understandings of religion and what it means to be religious. To better understand the changing face of twenty-first-century religion, New Era – New Religions situates the rise of new era religiosity within the broader context of late-modern society and its ongoing transformation.

Drogues légales. L´expérience de Liverpool. Paris, Éditions du Lézard, 1995.

Anthony Henman

O autor pesquisou durante cinco anos os resultados do programa do médico Dr. John Marks de prescrição legal de heroína e de cocaína para dependentes da cidade inglesa de Liverpool constatando diversos aspectos positivos desse programa tais como baixa da criminalidade e melhoria de saúde dos cerca de duzentos pacientes.

O Guaraná. Sua cultura, propriedades, formas de preparação e uso. São Paulo, Global/Ground, 1983.

Anthony Henman

Resultado de vários meses de pesquisa na região amazônica de Maués, junto aos rios Maraua e Urupadí, este livro relata as formas tradicionais de preparo e uso do guaraná dos índios Saterê-Mawé, relata a história da classificação botânica da planta e a mitologia indígena a seu respeito, assim como as propriedades psicofarmacológicas e as consequências econômicas da sua exploração.

Diamba Sarabamba (Coletânea de textos brasileiros sobre a maconha). São Paulo, Ground, 1986.

Anthony Henman e Osvaldo Pessoa Jr. - Organizadores

Livro pioneiro dos estudos brasileiros sobre maconha, combina textos anti-maconha da medicina do iníco do século XX com artigos de autores contemporâneos como Elisaldo Carlini, Anthony Henman, Luiz Mott, Alberto Zacarias Toron e Osvaldo Pessoa Júnior, que tratam respectivamente dos aspectos farmacológicos, dos conflitos entre as autoridades e os índios Tenetehara do Maranhão, de um resumo histórico da maconha no Brasil, de aspectos sócio-jurídicos e das perspectivas da liberação da maconha no Brasil.

Big Deal: The politics of the illicit drugs business. Londres e Sidney, Pluto Press, 1985.

Anthony Henman, Roger Lewis, Tim Malyon - Organizadores

The contributors to Big Deal look at: the politics of the drug trade; cocaine and US imperialism in Latin America; the involvement of the mafia; women and addctions; the pharmaceutical industry and illicit drugs; the structure of the heroin market; drug users and unemplyment. The authors expose the financial interests involved, the graft and corrpution behind the scams, and the hypocrisy of governmental demands for prohibition.

Mama Coca. Un estudio completo de la coca. Lima, Juan Gutemberg Editores – Impressores, 2005, 6ª ed.

Anthony Henman

Sexta edição do livro Mama Coca, versão corrigida pelo autor, publicada pela primeira vez no Peru. Inclui uma apresentação do professor Baldomero Cáceres Santa María e uma apresentação do autor no Foro Social Temático em Cartagena das Índias, Colômbia, 19 de junho de 2003.

Mama Coca. Londres. Hassle Free Press, 1978.

Anthony Henman

Publicado originalmente em inglês, em 1978 (Pratical Paradise Publications), com uma segunda versão em Londres (Hassle Free Press), no mesmo ano, traduzido ao espanhol na Colômbia (El Ancora Editores-Editorial La Oveja Negra) em 1981 e no mesmo ano ao alemão (Verlag Roter Funke), com uma nova edição em La Paz (Hisbol) em 1992 e outra em Lima (Juan Gutemberg Editores – Impressores) em 2005, e prestes a sair uma nova versão em inglês, este livro já é um clássico dos estudos da antropologia da coca. Faz uma exposição histórica geral sobre os estudos a respeito da coca e da cocaína e traz também uma etnografia específica do uso da folha de coca em uma população indígena colombiana (os Páez, da região do Cauca).

As Drogas na Contemporaneidade: Perspectivas clínicas e culturais. Salvador, Edufba, 2012.

Antonio Nery Filho; Edward MacRae; Luiz Alberto Tavares; Maria Eugênia Nuñez; Marlize Rêgo (orgs)

Sempre prezando pela pluralidade, este livro reúne perspectivas e investigações que têm como objetivo fomentar discussões. Para iniciar o debate, Antonio Nery Filho apresenta um texto que questiona Por que os humanos usam drogas. Então, a obra divide-se em três partes: Da cultura, que aborda questões de natureza social e cultural; Da clínica, que reúne relatos de experiência clínica e Psicoativos: usos e usuários, que abordam múltiplos aspectos relacionados ao uso de substâncias psicoativas.

 

O poder do Santo Daime – ordem, xamanismo e dádiva. São Paulo, Terceira Margem, 2001.

Arneide Bandeira Cemin

O livro faz uma etnografia de um grupo daimista ligado ao que se poderia denominar genericamente de Alto Santo, em Porto Velho, Rondônia, umas das vertentes mais antigas e ortodoxas do Santo Daime.

Ayahuasca Shamanism in the Amazon and Beyond. New York, NY: Oxford University Press, 2014.

Beatriz Labate and Clancy Cavnar (Eds)

This book discusses how Amerindian epistemology and ontology related to certain indigenous shamanic rituals of the Amazon spread to Western societies, and how indigenous, mestizo, and cosmopolitan cultures have dialogued with and transformed these forest traditions. The collection also focuses on how shamanic rituals have been spreading and developing in post-traditional urban contexts throughout the world. Special attention is given to ayahuasca, a psychoactive drink usually composed of two plants, the vine Banisteriopsis caapi and leaves of the Psychotria viridis bush. Ayahuasca use has spread beyond its Amazonian origin and instigated a variety of legal and cultural responses in the countries it has spread to. The chapters in this book address some of the ways these responses have influenced ritual design and performance in traditional and non-traditional contexts. The book analyzes how displaced indigenous people and rubber tappers are engaged in creative reinvention of rituals, and how these rituals help build ethnic alliances and cultural and political strategies for their marginalized position. It also explores modernity’s fascination with “tradition” and the “other.” This phenomenon is directly tied to important classic and contemporary issues in anthropology. One of them is the relationship between the expansion of ecotourism and ethnic tourism, recent indigenous cultural revivals, and the emergence of new ethnic identities. Another focus of this book is on trends in the commodification of indigenous cultures in post-colonial contexts, and the combination of shamanism with a network of health and spiritually related services. Finally, the book addresses the topic of identity hybridization in global societies. The previously unpublished ethnographies and analysis collected in these chapters will add to the understanding of the role of ritual in mediating the encounter between indigenous traditions and modern societies.

Review by Gerhard Mayer – Paranthropology
Oxford University Press
Flyer

Prohibition, Religious Freedom, and Human Rights: Regulating Traditional Drug Use. Berlin/ Heidelberg: Springer, 2014.

Beatriz Labate and Clancy Cavnar

This book addresses the use and regulation of traditional drugs such as peyote,

ayahuasca, coca leaf, cannabis, khat and Salvia divinorum. The uses of these substances can often be found at the intersection of diverse areas of life, including politics, medicine, shamanism, religion, aesthetics, knowledge transmission, socialization, and celebration. The collection analyzes how some of these psychoactive plants have been progressively incorporated and regulated in developed Western societies by both national legislation and by the United Nations Drug Conventions. It focuses mainly, but not only, on the debates in court cases around the world involving the claim of religious use and the legal definitions of “religion.” It further touches upon issues of human rights and cognitive liberty as they relate

to the consumption of drugs. While this collection emphasizes certain uses of psychoactive substances in different cultures and historical periods, it is also useful for thinking about the consumption of drugs in general in contemporary societies. The cultural and informal controls discussed here represent alternatives to the current merely prohibitionist policies, which are linked to the spread of illicit and violent markets. By addressing the disputes involved in the regulation of traditional drug use, this volume reflects on notions such as origin, place, authenticity, and tradition, thereby relating drug policy to broader social science debates.

The Therapeutic Use of Ayahuasca. Berlin/ Heidelberg: Springer, 2014.

Beatriz Caiuby Labate & Clancy Cavnar (Eds)

This book presents a series of perspectives on the therapeutic potential of  the ritual and clinical use of the Amazonian hallucinogenic brew ayahuasca in the treatment and management of various diseases and ailments, especially its role in psychological well-being and substance dependence. Biomedical and anthropological

data on the use of ayahuasca for treating depression, PTSD, and substance dependence in different settings, such as indigenous contexts, neo-shamanic rituals, contemporary therapeutic circles, and in ayahuasca religions, in both South and North America, are presented and critiqued. Though multiple anecdotal reports on the therapeutic use of ayahuasca exist, there has been no systematic and dense reflection on the topic thus far. The book brings the therapeutic use of ayahuasca to a new level of public examination and academic debate. The texts in this volume stimulate discussion on methodological, ethical, and political aspects of research and will enhance the development of this emergent field of studies.

Ayahuasca y Salud. Barcelona: Los Libros de La Liebre de Marzo, 2013.

Beatriz Caiuby Labate & José Carlos Bouso (Eds.)

This collection is composed of 22 articles, an introduction and a foreword. It brings together perspectives from the social and biomedical sciences as well as personal accounts of ayahuasca shamans and practitioners in order to address diverse indigenous, mestizo and Western concepts of health, illness and curing related to the use of ayahuasca.  Through a comparative analysis of the different contexts in which this psychoactive substance is consumed, this work investigates the boundaries between shamanism, religion and medicine, while examining hybridization across the diverse knowledge-bases of ayahuasca practices. The diversity of cultural and regional situations is reflected in, for example, different traditions of governmental regulation of ayahuasca consumption: While Brazil permits religious (but not medicinal use) of ayahuasca, Peru has recently enshrined indigenous medical traditions surrounding ayahuasca as part of its national heritage. This work also presents some of the latest biomedical findings concerning the medical and therapeutic possibilities of ayahuasca. Numerous contributions highlight both agreements and disagreements between the “traditional” and the biomedical approach to health and health risks.

Esta colección está compuesta de 22 artículos, una introducción y un prefacio. Reúne múltiples enfoques de ciencias humanas, biomédicas y de relatos de usuarios para abordar concepciones indígenas, mestizas y occidentales sobre salud, enfermedad y cura relacionada con el consumo de ayahuasca, así como el proceso de hibridación de estos saberes y prácticas. A través de un abordaje comparativo de diversos contextos de consumo de este psicoactivo, se pretende pensar en las fronteras entre chamanismo, religión y medicina. Estas fronteras están relacionadas con la reglamentación gubernamental del consumo de ayahuasca a escala global: por ejemplo, mientras que en Brasil está permitido el uso religioso de ayahuasca (pero no el uso medicinal), Perú recientemente ha consagrado las tradiciones médicas indígenas que rodean la ayahuasca como parte de su patrimonio nacional. El trabajo también presenta el estado de investigaciones biomédicas sobre las posibilidades médicas y terapéuticas de la ayahuasca. Numerosas contribuciones destacan las divergencias y convergencias entre abordajes de la “tradición” y de los discursos biomédicos sobre salud y riesgo.

Opening the Portals of Heaven: Brazilian Ayahuasca Music. Munster, Lit Verlag, 2012.

Beatriz Caiuby Labate & Gustavo Pacheco

This book highlights the theme of music in the ayahuasca religions of Santo Daime (both the Cefluris and Alto Santo groups) and the União do Vegetal (UDV). Although most studies of the ayahuasca religions recognize the centrality of music in their rituals, the study of the music itself has generally been secondary to other themes, rather than the central focus that it is here. A rich cultural manifestation, ayahuasca music reveals multiple connections with Brazilian religiosity and with the musical expression of the Northeast and Amazonia, and has been one of the principal elements highlighted by recent efforts to designate ayahuasca as immaterial cultural heritage of the Brazilian nation. The book explores the key role that music plays in the everyday life of these religions, in the production of religious meanings, and in the construction of the bodies and the subjectivity of adepts. Through a description of each group’s musicality and a comparison among them, the authors seek to understand these groups’ ethos. This book represents an important contribution to an area of study that is still little explored in Brazil: the use of music in ritual and religious contexts.

The Internationalization of Ayahuasca. Zurich, Lit Verlag, 2011.

Beatriz Caiuby Labate & Henrik Jungaberle (Eds)

The Internationalization of Ayahuasca is composed of 27 articles (almost 500 pages) and is divided in three parts: “Ayahuasca in South America and the world”, “About medical, psychological and pharmacological Issues: is the use of ayahuasca safe?” and “The expansion of the use of Ayahuasca and the establishment of a global debate on ethics and legalization”. The book brings together the work of scholars from different countries and academic disciplines to offer a comprehensive view of the globalization of this Amazonian brew. It presents a rich array of reflections on the complex implications of this expansion, ranging from health, spiritual and human rights impacts on individuals, to legal and policy impacts on governments. As ayahuasca drinking becomes an increasingly established practice beyond the Amazon in the early 21st century, Labate and Jungaberle have put together a collection that is an unprecedented contribution to a growing field of research. It is a must-read for people interested in the present and future of ayahuasca, as well as in spirituality, ethnobotany, social science theory, contemporary religious and ritual studies, therapeutic potentials of psychedelics, and international drug policy. (Kenneth W. Tupper, Ph.D.) A Internacionalização da Ayahuasca compõe-se de 27 artigos (quase 500 páginas) e divide-se em três partes: “A Ayahuasca na América do Sul e no mundo”, “Temas médicos, psicológicos e farmacológicos: o uso da ayahuasca é seguro?” e “A expansão do uso da Ayahuasca e o estabelecimento de um debate mundial a respeito da ética e da legalização”. O livro reúne o trabalho de estudiosos de diferentes países e de diferentes disciplinas acadêmicas, oferecendo uma visão abrangente da globalização desta bebida amazônica. Apresenta um rico panorama de reflexões sobre as complexas implicações desta expansão, incluindo desde impactos sobre a saúde, a espiritualidade e os direitos humanos individuais até impactos legais e políticas governamentais. À medida que o consumo da ayahuasca torna-se uma prática cada vez mais estabelecida para além da Amazônia neste início do século 21, Labate e Jungaberle reuniram uma coleção que representa uma contribuição inédita a um campo de pesquisa em expansão. É leitura obrigatória para as pessoas interessadas no presente e futuro da ayahuasca, bem como na espiritualidade, na etnobotânica, na teoria das ciências sociais, nos estudos contemporâneos sobre religião e rituais, nos potenciais terapêuticos dos psicodélicos e nas políticas internacionais sobre drogas. (Kenneth W. Tupper, Ph.D.)

Música Brasileira de Ayahuasca. Campinas, Mercado das Letras, 2009.

Beatriz Caiuby Labate e Gustavo Pacheco

Ayahuasca Religions: a comprehensive bibliography and critical essays. Santa Cruz, MAPS, 2009.

Beatriz Caiuby Labate, Isabel Santana de Rose, Rafael Guimarães dos Santos

Rodas de Fumo: o Uso da Maconha entre Camadas Médias. Salvador: EDUFBA, 2000.

Edward Mac Rae e Júlio Assis Simões

Este estudo apresenta um painel de dados e interpretações que podem ser úteis para repensar programas de informação e prevenção do uso de drogas no sentido de incorporar ativamente vivências e pontos de vista dos próprios usuários.

Crack: Contextos, Padrões e Propósitos de Uso. Salvador: EDUFBA, 2013.

Edward MacRae, Luiz Alberto Tavares e Maria Eugênia Nuñez (orgs)

A partir do resultado de estudos desenvolvidos pelo CETAD/UFBA, o livro desmistifica concepções recorrentes na mídia e na própria Clínica Médica sobre o consumo e o consumidor de drogas, como a de que o crack, pelo seu alto potencial de destruição, levaria o usuário à morte em poucos anos. A proposta do livro é multidisciplinar e envolve áreas como a socioantropologia, psiquiatria e psicologia, além do trabalho de redução de riscos e danos com usuários.

 

Toxicomanias: incidências clínicas e socioantropológicas. CETAD/EDUFBA, 2009.

Edward MacRae, , Antonio Nery Filho, Luiz Alberto Tavares, Marlize Rêgo (Org.)

Os textos que compõem a coletânea articulam-se entre si mas são seguem um desenvolvimento sequencial, podendo ser lidos separadamente. Trata-se da abordagem do mesmo tema por campos disciplinares diversos. O livro é dividido em dois blocos, o primeiro trata da elaboração teórica, no campo da pesquisa socioantropológica; O segundo traz textos sobre a investigação psicanalítica, além da articulação dessa teoria com a prática institucional de atendimento a usuários de drogas. Completando a obra, há uma discussão sobre a Lei de Drogas vigente e duas entrevistas realizadas com Claude OIivenstein (1994) e Antônio Nery Filho (2008) que, respectivamente, em Paris e na Bahia, trouxeram uma significativa e inovadora contribuição para a abordagem do usuário de drogas.

El Santo Daime y la espiritualidad brasileña. Quito, Ediciones Abya-Yala, 2000.

Edward MacRae

Este livro relata a história das religiões do Santo Daime, a partir do tronco criado por Raimundo Irineu Serra nos anos 30, seguido pelo Padrinho Sebastião, e enfoca os principais questões teóricas do uso de psicoativos na antropologia das religiões, destacando as relações do culto e da doutrina do Daime com outras vertentes da religiosidade brasileira como as religiões mediúnicas em geral e o kardecismo em particular.

Guiado por la luna. Quito, Ed. Abyayala, 1998.

Edward MacRae

Guiado pela Lua. Xamanismo e uso ritual da ayahuasca no culto do Santo Daime. São Paulo, Brasiliense, 1992.

Edward MacRae

Resultado de um trabalho de campo de muitos anos junto aos grupos religiosos do Santo Daime, com diversas viagens do autor à Amazônia e ao Céu do Mapiá onde está sediada a comunidade mais importante do Santo Daime, este livro pioneiro foi um dos primeiros a constituir o campo de estudos antropológicos sobre os usos religiosos da ayahuasca e a influência do xamanismo amazônico na cultura brasileira.

Desvelar a politica na periferia : historias de movimentos sociais em São Paulo. Humanitas, 2003.

Gabriel de Santis Feltran

O livro é organizado a partir de algumas histórias do cotidiano da periferia da Região Metropolitana de São Paulo, desde as quais o autor procura pela política, bem como pelas implicações que as disputas atuais em torno dos significados desse conceito trazem para os movimentos sociais. Parte do pressuposto de que os movimentos sociais sempre lutaram para figurarem-se como sujeitos políticos e que portanto a política está na base das noções renovadas de direitos, cidadania e democracia que pretendem formular. O objetivo do trabalho foi buscar análises que caracterizassem, o quanto possível, como esses conceitos aparecem nos casos estudados hoje, desde as concepções de mundo que as lideranças dos movimentos e os moradores dos locais em que atuam carregam, que se delineiam pelas experiências de que são sujeitos. São estudados, para isso, o Mutirão r de Maio, um loteamento popular recente, situado em Carapicuíba, município da Zona Oeste da Região Metropolitana; e o Movimento de Defesa do Favelado, que atua na Zona Leste da capital há mais de 20 anos, em prol dos favelados. O trabalho, conduzido numa abordagem qualitativa e tendo como referencial teórico o pensamento de Hannah Arendt, de um lado verifica o declínio recente de um campo propriamente político que ofereça plausibilidade à vida e estatuto político às lutas dos moradores das periferias urbanas, e de outro procura, nos trânsitos e tensões entre as diferentes esferas de atuação e racional idades políticas presentes nos movimentos, pistas que informem sobre sua contribuição atual para a construção democrática

Bebida, abstinência e temperança na história antiga e moderna. SENAC – São Paulo.

Henrique Carneiro

A partir de comparações entre diversas fontes filosóficas, médicas e religiosas antigas e modernas, este livro apresenta um debate a respeito do significado da bebida, seus efeitos, sua relação com o divino ou com a história de uma sociedade. O professor de história moderna da USP Henrique Carneiro discute também a tensa questão da abstinência, do excesso e da temperança, que resultaram na procura de um ponto de equilíbrio e moderação por meio de normas, regras, leis, pedagogias e etiquetas sobre como beber adequadamente.

Amores e sonhos da flora. Afrodisíacos e alucinógenos na botânica e na farmácia. São Paulo, Xamã Editora, 2002.

Henrique Carneiro

Originalmente apresentada como uma tese de doutoramento na USP em 1997, este livro rastreia a construção social das noções desenvolvidas na Era Moderna acerca do uso de diferentes plantas. A botânica e a farmácia nascem, então, como ciências inextricavelmente ligadas, cuja motivação principal é a busca de novas drogas. Seus usos, além da cura de doenças ou lesões, também visavam aos domínios do sexo, do sonho, do transe, da alucinação, da morte e do prazer. Recebiam, assim, especial atenção as plantas consideradas afrodisíacas, anafrodisíacas e alucinógenas.

A Igreja, a Medicina e o Amor: prédicas moralistas da época moderna em Portugal e no Brasil. São Paulo, Xamã Editora, 2000.

Henrique Carneiro

Por séculos o amor vem sendo prisioneiro da Igreja e da Medicina, considerado pecado e doença, interrogado e confessado, submetido ao rigor das penitências e dos tratamentos. Remédios, sangrias, aparelhos e cirurgias foram utilizados para tentar aplacar o vulcão da luxúria. Na trilha dos descobrimentos portugueses, o moralismo estóico e cristão defrontou-se com as múltiplas irrupções de Eros sem nunca poder vencê-lo. Neste livro investiga-se a história das moralidades modernas sobre a paixão, o amor e a sexualidade.

Filtros, Mezinhas e Triacas: as drogas no mundo moderno.. São Paulo, Xamã Editora, 1994.

Henrique Carneiro

Apresentada como dissertação de mestrado em 1993, no Departamento de História da USP, este livro traz um estudo comparativo do saber e da moral da época moderna sobre o consumo das drogas. Utiliza como fontes os herbários, especialmente o Colóquio das Drogas de Garcia da Orta (1563), além de tratados, cartas e crônicas dos viajantes, naturalistas e estudiosos das plantas nos Novos Mundos encontrados na expansão marítima européia e que tornaram-se parte do novo saber natural que emergia nesse período de construção da primeira ordem globalizada em que efetuavam-se intercâmbios de plantas, de animais, de minerais, de pessoas e de idéias.

Pequena enciclopédia da história das drogas e bebidas: histórias e curiosidades sobre as mais variadas drogas e bebidas. Rio de Janeiro, Campus/Elsevier, 2005.

Henrique Carneiro

O livro que traz um conjunto de cerca de 140 verbetes sobre diferentes substâncias psicoativas enfocando o seus significados culturais, sociais e econômicos ao longo da história. Inclui bebidas alcoólicas fermentadas e destiladas, fumos e resinas, alucinógenos vegetais, mastigatórios e bebidas excitantes, e substâncias sintéticas e definições psicofarmacológicas.

Comida e Sociedade: uma história da alimentação. Rio de Janeiro, Editora Campus, 2003.

Henrique Carneiro

A alimentação é, após a respiração e a ingestão de água, a mais básica das necessidades humanas. Mas como “não só de pão vive o homem”, a alimentação, além de uma necessidade biológica, é um complexo sistema simbólico de significados sociais, sexuais, políticos, religiosos, éticos, estéticos, etc. Este livro destaca dentre todos os aspectos da cultura material, a alimentação como um dos que mais se encontra subjacente a toda esfera da atividade humana.

Regulamentação e criminalização das drogas no Brasil: A Comissão Nacional de Fiscalização de Entorpecentes – 1936-1946. Editora Multifoco, Rio de Janeiro: 2013.

Jonatas Carvalho

Neste livro, Jonatas Carvalho nos conduz a um tempo em que substâncias como maconha, ópio e cocaína, deixavam de ser comercializadas livremente nas farmácias e drogarias sofrendo uma série de regulações que resultaram na criminalização dos seus usos recreativos. Para gerir essa política criminalizadora e reguladora fora criada em 1936 a primeira organização de caráter governamental a Comissão Nacional de Fiscalização de Entorpecentes (CNFE). Segundo o autor, a Comissão teve um papel fundamental na internalização do proibicionismo no Brasil. O autor revela nos dez anos de atuação da CNFE um projeto comprometido com a política mundial que preconizava cada vez mais a proibição total das drogas. 

Arte Visionária – Representações Visuais Inspiradas nos Estados não Ordinários de Consciência (ENOC). Editora Prismas, 2014.

José Eliézer Mikosz

Seria a arte rupestre uma forma de representação visual relacionada com tentativas mágico-fetichistas para o homem primitivo ter boa sorte na caça? Ou o resultado de experiências de estados não ordinários de consciência comunicadas visualmente, relacionadas à consciência xamânica e suas características? A arte psicodélica seria apenas o resultado distorcido e alterado da realidade por causa do uso de psicoativos e de técnicas específicas para se alcançar determinados estados de consciência? Ou expressões de estados legítimos de uma realidade psíquica além da vivida no dia-a-dia? Os grafismos indígenas seriam apenas formas decorativas e enfeites corporais? Ou o resultado de visões sagradas para esses povos? Arte Visionária – Representações Visuais Inspiradas nos Estados não Ordinários de Consciência (ENOC), lançado pela Editora Prismas, trata dos estados não ordinários de consciência, abreviadamente ENOC, e sua relação com a arte e/ou representações visuais. O fenômeno está presente desde a arte rupestre e em várias civilizações ao longo da história até os dias de hoje. O estudo envolve relações entre teoria e história da arte, alguns aspectos biológicos da experiência, a formação de mitos e simbologia, a presença na natureza dos mesmos padrões visualizados, entre outros.

O Primeiro Manifesto da Arte Visionária. Editora: Ordem Rosacruz AMORC – Universidade Rose + Croix Internacional, 2013.

Laurence Caruana. Tradução: José Eliézer Mikosz

A história da Arte Visionária é caracterizada pela tentativa de encontrar uma nova linguagem visual – uma linguagem que possa superar contradições inerentes (de ver o que não pode ser visto) e expressá-la em uma forma ‘supra-visual’ ou, como se costuma dizer na França, le ‘sur-visuel’. Em tal linguagem, as imagens artísticas, nos mitos e mescladas nos sonhos, combinam diferentes símbolos culturais, novas formas são encontradas e são expressas nas visões resultantes – seja no sagrado, psicodélico, esotérico, onírico, oculto, alternativo, arquetípico, primitivo, transpessoal, fantástico ou – como algumas vezes acontece – no surreal. (Laurence Caruana)

Série Pensando o Direito. Sumário Executivo Relatório de Pesquisa Tráfico de Drogas e Constituição. Brasília, Ministério da Justiça, 2009.

Luciana Boiteux

A pesquisa em tela, realizada no curso do Projeto Pensando o Direito, uma parceria entre a Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça e o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) teve por objeto um estudo do delito de tráfico de drogas, previsto no art. 33 da nova Lei de Drogas (n. 11.343/06), em seus aspectos sociais e jurídico-constitucionais, o que significa dizer que se trata de análise interdisciplinar, que pretende confrontar normativa jurídica e as práticas sociais de sua aplicação aos casos concretos. O foco, portanto, está na análise do modelo brasileiro de controle de drogas ilícitas, a forma pela qual este é influenciado pelos tratados internacionais, e como o referido artigo é aplicado pelo Poder Judiciário, nas cidades do Rio de Janeiro-RJ e do Distrito Federal.

Images of Healing. Spontaneous mental imagery and healing process of the Barquinha, a Brazilian ayahuasca religious system, Saarbruken, LAP Lambert Academic Publishing, 2010. .

Marcelo S. Mercante

Abstract: How conscious spiritual experiences influence healing process? This question guided the investigation of the spontaneous mental imagery (mirações) of people under treatment in a Brazilian religion that uses the psychoactive beverage Ayahuasca (locally called Daime) as a sacrament. It was investigated the healing techniques implemented during rituals, concepts of healing and sickness, and the relationship between mirações and healing process. Sickness was considered to have a spiritual source, and healing to be accomplished when one puts oneself into a hypothetical “current of healing energy” felt during ceremonies. The experience of mirações was considered to be the source of healing, mediating and making conscious a coherent and workable whole that encompassed the ritual, the Daime, the processes of self-transformation/knowledge/exploration, physiological condition, and factors in a spiritual space – a non-physical although very objective space one believed to be shared by participants in the ceremonies, and where mirações were believed to occur. This book builds a bridge between Consciousness Studies and Anthropology, and it is recommended for people interested in those areas.

Imagens de Cura: Ayahuasca, imaginação, saúde e doença na Barquinha. FIOCRUZ, 2012.

Marcelo S. Mercante

Em situação de doença ou sofrimento, muitas pessoas buscam uma religião. Não é diferente nas religiões ayahuasqueiras, cujos rituais são conhecidos por utilizar uma bebida à base de Ayahuasca, uma substância psicoativa. O Santo Daime é a mais conhecida dessas religiões, mas existem outras, como a União do Vegetal e a Barquinha – esta última restrita ao Acre. Pessoas em tratamento de saúde com Ayahuasca vivenciam e relatam mirações após o consumo da bebida, cuja eficácia – seja simbólica, seja física – tem sido bastante discutida. Entender o papel dessas mirações, mas ultrapassando o tradicional debate sobre a ação da substância: esta é a proposta do livro. O autor estudou um centro ligado ao sistema religioso da Barquinha. O diferencial dessa pesquisa é que ela compreende as mirações a partir do diálogo entre múltiplos saberes, como antropologia, psicologia, filosofia da mente, estudos da consciência, química, neurofisiologia e espiritualidade.

Beberagens indígenas e educação não escolar no Brasil colonial. .

Maria Betânia Barbosa Albuquerque

O livro analisa o consumo indígena de bebidas fermentadas embriagantes, em particular o cauim dos Tupinambá, e sua capacidade de mediar um amplo conjunto de saberes, fazer circular valores e afirmar identidades, configurando-se, portanto como meio de socialização e de educação. Com base em crônicas de viagem e em cartas de missionários e articulado aos pressupostos da história cultural, em particular, da história das práticas alimentares, o livro ensaia uma articulação interdisciplinar entre os campos da história, antropologia e arqueologia. O foco central, contudo, é a educação dos próprios índios mediada pela prática das mulheres de fabricarem o cauim, bem como a rede de saberes que perpassam essa prática em sua interface com as relações de poder.

Epistemologia e Saberes da Ayahuasca. Belém, EDUEPA, 2011.

Maria Betânia Barbosa Albuquerque

O livro analisa os saberes vivenciados na experiência educativa mediada pela ayahuasca, beberagem de origem indígena feita da combinação de plantas da Floresta Amazônica, utilizada para diferentes finalidades entre as quais o auto-conhecimento. Argumento que, muito além do que a Pedagogia compreende como educação, as experiências de aprendizagem vicejam em diferentes espaços e culturas, os mestres não são, necessariamente, humanos, além de se materializarem em outros critérios de inteligibilidade do real. Tais critérios, baseados na visão de mundo xamânica, foram pensados à luz da sociologia das ausênciasproposta por Boaventura de Sousa Santos e da contra epistemologia que lhe é subjacente. Parto das perguntas: Que saberes são mediados pela experiência da ayahuasca? Que relações esses saberes mantém com outros campos do conhecimento? Como compreender a sua epistemologia? Com base em pesquisa bibliográfica e de campo, o livro descreve os saberes da ayahuasca entre indígenas e seringueiros da Amazônia. Volta-se, também, para os saberes da ayahuasca em um contexto religioso, o Santo Daime.

ABC do Santo Daime. Belém: EDUEPA, 2007, v.1. 96 f.

Maria Betânia Barbosa Albuquerque

Santo Daime é a doutrina religiosa brasileira, de caráter híbrido, surgida no interior da floresta amazônica no início do século XX, cuja principal característica é a ingestão do vinho sacramental, Daime, uma ressignificação da milenar bebida indígena de nome Ayahuasca.

Este livro procura evidenciar ao leitor um pouco dessa doutrina, de sua história, legalidade, fundamentos, características, ritual …, de modo a possibilitar o seu entendimento numa perspectiva ampla e introdutória.

Resultado de uma investigação de natureza bibliográfica, o livro foi escrito em linguagem clara e objetiva, permeado por figuras e referências que visam, nas palavras do prefaciador, “ajudar a compreender essa religião brasileira de uma maneira simples, acessível e didática, contribuindo para dissolver as constantes nuvens negras formadas pela intolerância, pelo preconceito e pelo etnocentrismo”.

Padrinho Sebastião: máximas de um filósofo da floresta. Belém: EDUEPA, 2009. 63 f.

Maria Betânia Barbosa Albuquerque

A obra lança um olhar sobre a religião do Santo Daime, a partir das idéias daquele que foi um dos mais ardorosos discípulos do Mestre Irineu: Sebastião Mota de Melo, curandeiro da Amazônia que atendia grande número de doentes na região do Rio Juruá dada as suas faculdades mediúnicas manifestadas desde a infância. Tal como Mestre Irineu, Sebastião Mota não frequentou uma escola formal de ensino. Contudo, embora só tivesse aprendido a ler com quase 50 anos de idade, era dotado de profunda sabedoria, além de um carisma nato para o ensino. Seus ensinamentos eram transmitidos na própria lida do dia a dia, nas diversas funções que desempenhou na vida como mateiro, seringueiro, construtor de canoas, rezador, curandeiro e líder espiritual. Sua palavra forte, estruturada a partir de frases curtas e de efeito, à moda de certas máximas filosóficas, causam a impressão de se estar diante não apenas de um simples caboclo da mata, mas, de um profundo conhecedor da vida e seus mistérios, em uma palavra: um filósofo. Este livro visa, portanto, compilar e divulgar o pensamento vivo de Sebastião Mota e evidenciar que, além do saber escolar, existe uma sabedoria de vida imersa na cultura que desafia nosso entendimento sobre conceitos como: conhecimento, realidade, razão e verdade, instigando, ainda, a ampliar a noção clássica de filosofia como atributo de uns poucos iluminados, habitantes de uma geografia particular de onde teria emergido todas as luzes da humanidade.

Uso de Drogas: Controvérsias Médicas e Debate Público. Campinas: Editora Mercado de Letras, 2007.

Mauricio Fiore

Tendo como pressuposto que a questão das “drogas” foi, desde sua instituição nas sociedades contemporâneas, erigida sob um estatuto medicalizado, este trabalho buscou analisar o debate público atual sobre o tema, por meio de um de seus componentes fundamentais: os discursos médicos. O objeto de análise, além de uma observação geral sobre a abordagem do tema na mídia, foi um conjunto de falas e textos de médicos que ocupam cargos de direção em instituições relacionadas ao uso de “drogas” e vinculadas a duas das maiores escolas de medicina de São Paulo. Com base em alguns recortes temáticos que explicitam as principais controvérsias encontradas – como a abrangência do termo “drogas”, a conformação de uma patologia, as suas origens biológicas e as formas de classificação do prazer proporcionado pelo uso -, são analisadas algumas das grandes questões da medicina no mundo contemporâneo, como a preservação da vida e o controle dos riscos. Além disso, tomando como linha de corte uma nova forma de abordagem ao uso de “drogas” – a Redução de Danos -, são discutidas, por fim, as principais divergências que opõem os médicos pesquisados, como as diferentes ênfases nos efeitos fisiológicos das substâncias e os limites da noção de liberdade individual.

Quanto a Polícia Mata: Homicídios por Autos de Resistência no Rio de Janeiro (2001-2011). Rio de Janeiro: Booklink, 2013.

Michel Misse, Carolina Cristoph Grillo, César Pinheiro Teixeira, Natasha Elbas Néri

Estatística tenebrosa registrada no Rio: mais de 10 mil homicídios cometidos pela polícia rotulados de “autos de resistência”. Os mortos teriam reagido à abordagem policial. Quem garante? Os dados são oficiais, e desafiam o bom senso. O NECVU/UFRJ analisa a ocorrência neste livro, oferecendo subsídios para corrigir desvios. O número dos “autos de resistência” caiu nos últimos três anos, mas ainda permanece muito alto. Isso exige providências, mais urgentes ainda quando cabe à polícia ocupar comunidades conflagradas como primeiro passo para que a pacificação delas ocorra por meio de políticas públicas promotoras de paz social.

Rock Underground: Uma Etnografia do Rock Alternativo. São Paulo, Radical Livros, 2007.

Pablo O. Rosa

Tomando como estudo de caso o funcionamento de um bar dedicado a shows de rock underground em Florianópolis – local que acabaria fechado por conta da truculência policial -, o autor faz uma análise precisa do comportamento de músicos, fãs e demais personagens que interagem no microcosmo da cena musical alternativa em nosso país. O local e a cidade específicos aqui analisados servem como retrato, na verdade, do mesmo tipo de lógica econômica e social que atravessa a cena alternativa brasileira em qualquer grande centro urbano e até mesmo em cidades do interior do país. Músico participante da cena e sociólogo com atuação em projetos relacionados à juventude, Pablo Ornelas Rosa consegue uma percepção do movimento ao mesmo tempo rigorosa e viva, como interessado direto no tema. Com isso, o que temos é um belo livro que, sem perder o rigor conceitual, é uma leitura extremamente agradável. Como escreve Luiz Eduardo Soares, no prefácio que apresenta este trabalho: “Os roqueiros vão curtir, os mais velhos vão recordar, os menos sintonizados com esse mundo vão ter a oportunidade de visitá-lo e os intrigados com as asperezas dos jovens, nossos novos bárbaros, vão descobrir espelhos surpreendentes, para examinar a própria intolerância.”

Juventude Criminalizada. Florianópolis, Editora Insular, 2010.

Pablo O. Rosa

Este livro analisa as formas de sociabilidade demarcadas pelo estigma que os jovens das comunidades periféricas que vivem em meio à criminalidade recebem cotidianamente, na medida em que transitam pelas metrópoles, através da equivocada tríade vinculativa entre violência, criminalidade e drogas. Este fenômeno produz prisões simbólicas que submetem os corpos destes jovens à disciplina e ao controle. Entretanto, quando estes se envolvem no crime e são julgados culpados, acabam sendo encaminhados para unidades de internação que, juridicamente, propõem um caráter pedagógico, mas que, na prática, têm a punição como método. É a partir desta relação entre sociabilidade juvenil, violência e criminalidade que o autor Pablo Ornelas Rosa escreveu este livro, buscando refletir sobre os mecanismos disciplinares e de controle impostos a esta juventude que se encontra estigmatizada em decorrência de suas condições sociais.

Como escreve Vera Malaguti Batista no prefácio desta obra: “A nossa juventude não está sendo criminalizada pelo que lhe falta, mas pelo que lhe sobra: potência e rebeldia. É a sua força, sua resistência que vai demandar que recaia sobre ela não só a prisão, mas também o controle da sua movimentação, sua circulação pelas cidades, aquilo que Edson Passetti denuncia como controle a céu aberto. Qualquer lugar onde a juventude popular exerça sua potência será demonizado, desclassificado e criminalizado: das torcidas de futebol ao baile funk”.

Drogas e a governamentalidade Neoliberal – Uma genealogia da redução de danos. Florianópolis, Editora Insular, 2014.

Pablo O. Rosa

Há muitos anos o autor deste livro trabalha com movimentos sociais institucionalizados e políticas públicas da saúde, educação e segurança pública. Mais recentemente, passou a pesquisar sobre drogas e políticas de redução de danos e seus desdobramentos. Agora, nesta publicação, analisa politicamente o controle das drogas ao longo da história, organizando a temática em cinco capítulos principais – Política, Biopolítica, Saúde, Segurança e Controle −, para logo expor como as tecnologias de poder atuam sobre a circulação das drogas nas atuais sociedades de controle, governamentalizando e disciplinando os consumidores de drogas lícitas e ilícitas, além de funcionários do Estado e vários segmentos sociais. Sob o amparo de fundamentos jurídicos e médicos, a racionalidade neoliberal transformou usuários em capital humano e, portanto, em sujeitos produtivos para a sociedade, viabilizando a captação de recursos privados e públicos para bancar seus projetos de intervenção e ganhos financeiros. Segundo o autor, “esta constante busca pelo controle das condutas dos indivíduos que se encontram em uma suposta condição de ‘vulnerabilidade’ tem sido capitaneada pelas mais distintas espécies de ‘Messias’, tais como os pastores, os sacerdotes, os líderes comunitários, os governantes e, sobretudo, os representantes de Organizações Não Governamentais, que objetivam, principalmente, a manutenção e a garantia de seus empregos intensificando sua incidência sobre os indivíduos por meio da governamentalidade neoliberal”. A produção, o comércio e o consumo de drogas estão em debate em nosso país. Essa publicação subverte essa discussão, rompendo com os discursos dominantes de poderes que controlam as condutas dos indivíduos, ao questionar quais seriam as políticas mais adequadas para tratar questão tão polêmica na atualidade. A repressão às drogas se intensificou e surgiram posições mais progressistas em relação à descriminalização, legalização e sua regulamentação. Porém, certos poderes atuam no controle às drogas não apenas de um ponto de vista farmacológico, neurobiológico, físico, químico, médico etc., mas por meio de posicionamentos políticos. São dispositivos de poder que cercam os indivíduos por meio das verdades produzidas pela saúde e pela segurança pública incidindo no controle sobre as drogas através das políticas de redução de danos, que ainda reproduzem o poder do Estado de disciplinar e controlar os usuários de substâncias consideradas ilícitas.

 

Eu venho de longe: Mestre Irineu e seus companheiros. Salvador, EDUFBA, EDUFMA, ABESUP, 2011.

Paulo Moreira e Edward MacRae

Raimundo Irineu Serra, mais conhecido como Mestre Irineu, foi um maranhense neto de escravos que no início do século XX migrou para a região do Acre, onde se estabeleceu desempenhando vários ofícios relacionados à extração da borracha e posteriormente, a partir de 1920, agora residente na região de Rio Branco, se inscreveu na Força Policial. A partir de então passou também a desenvolver atividades de cunho espiritualista e de medicina popular tendo como principal ferramenta a bebida ayahuasca, de fortes características psicoativas. Em 1930 funda um centro, datando-se dessa época a criação do culto do Santo Daime ou Daime. A comunidade rural que estabeleceu acolheu inúmeros imigrantes e seringueiros expulsos da floresta devido ao colapso da economia da borracha. Mestre Irineu e sua doutrina foram sujeitos a inúmeras perseguições e preconceitos suscitados pela predominância de afro-descendentes entre seus seguidores e pelos temores que as elites de então sentiam em relação à movimentos culturais e religiosos de origem afro-indígena como aquele que liderava. Como estratégia de defesa para si e sua comunidade Mestre Irineu desenvolveu fortes laços com alguns políticos influentes de sua época, incluindo governadores e autoridades do exército. Hoje se considera de grande importância a sua participação na colonização do então Território que mais tarde viria a ser Estado e o movimento religioso que fundou assume características emblemáticas da identidade acreana reminiscentes, análoga  daquelas desempenhadas por exemplo pelo candomblé na Bahia. O texto do livro aqui apresentado traz uma nova abordagem e releitura dos dados já conhecidos sobre a história do Mestre Irineu e do Daime, além de trazer uma preciosa coleção de fotos, documentos e outros depoimentos dos primeiros participantes desse movimento religioso, muitos deles com idades avançadas ou falecidos. O trabalho também enfatiza a influência da cultura afro-brasileira no desenvolvimento da doutrina pregada pelo Mestre Irineu. Assim, este livro é um trabalho de resgate da memória dos primórdios desse culto religioso, enfatizando a importância do Daime na formação da identidade acreana e destacando a presença da matriz afro-brasileira, até agora pouco enfatizada nesse processo.

Maconha, Cérebro e Saúde. Rio de Janeiro, Editora Vieira e Lent, 2007.

Renato Malcher-Lopes e Sidarta Ribeiro

Apesar de sua milenar reputação medicinal e de sua grande relevância como droga de uso recreativo e religioso, até recentemente muito pouco se sabia sobre os mecanismos de ação da maconha no cérebro e no corpo. A partir da década de 1990, contudo, a descoberta de que o cérebro produz ele mesmo moléculas semelhantes aos princípios ativos da maconha impulsionou enormes avanços científicos. Foi possível não somente a compreensão da ação biológica da planta, mas também o entendimento do próprio funcionamento do cérebro e da fisiologia animal. Assim, o conjunto de informações atualmente disponíveis estimula um novo olhar sobre os efeitos psicológicos e comportamentais da maconha, permitindo também analisar, com bases mais sólidas, os riscos de seu uso abusivo e os benefícios de seu potencial terapêutico.

Álcool e Drogas na História do Brasil. Belo Horizonte/São Paulo, Editora da PUC/Alameda, 2005.

Renato P. Venâncio e Henrique S. Carneiro

Esta coletânea, com catorze textos de dezessete autores, publica os resultados do Simpósio “Álcool e drogas na história do Brasil”, realizado na Universidade Federal de Ouro Preto, no ICHS, em Mariana, em junho de 2003. Do cauim e dos remédios de antigos boticários ao sacramento de religiões mestiças que usam alucinógenos em rituais devocionais, passando pelo uso do vinho nas práticas de sedução e da aguardente nas revoltas escravas, o conjunto de pesquisas reunidas neste livro oferece um panorama inédito do significado que o álcool e as drogas tiveram na história do país.

Ritmo e subjetividade: o tempo não pulsado. Rio de Janeiro: Multifoco, 2011.

Sandro Eduardo Rodrigues

Pensar a produção de subjetividade no contemporâneo é paradoxal, pois exige a afirmação simultânea de temporalidades que funcionam como tendências divergentes: do caos nascem os meios e os ritmos. Assim, com o auxílio da música e da filosofia contemporâneas, Ritmo e subjetividade explora e confronta duas temporalidades distintas, porém inseparáveis: um tempo pulsado, ou estriado, e outro não pulsado, amorfo ou liso. O tempo amorfo não possui estruturas de pulsação; é o tempo da perda dos limites territoriais por movimentos de desterritorialização, da produção de novas formas por processos constantes de deformação, da dessubjetivação pelo esquecimento de marcas identitárias; sob o regime do Aion, é um tempo cujo presente se atualiza como instante, sem medida superior que lhe dê unidade. Por outro lado, há sempre um tempo estriado, sob o regime de Cronos, que marca um território por suas medidas, mede o estado de desenvolvimento de uma forma por seus estágios, identifica um sujeito por suas memórias e marca a métrica de uma música pelas pulsações; trata-se de um tempo cujo presente se apresenta como meu, uma propriedade, um sentido interno, uma forma a priori. Tempo pulsado e não pulsado funcionam como tendências opostas, embora inseparáveis. De sua articulação na música e na produção de subjetividade, emerge uma linguagem transversal como estilo, afirmando a arte e a clínica para dar consistência a forças de criação impedidas de se afirmar por si mesmas.

Entendendo as Coisas. Porto Alegre, Editora L&PM, 1998.

Sidarta Ribeiro

Primeiro livro de ficção de Sidarta Ribeiro. São 16 contos tensos, geralmente urbanos, e todos, sem exceção, muito bem escritos. Estamos conhecendo um genuíno escritor, um observador de seu país e do seu mundo, um contemporâneo obcecado pelo seu presente que, como artista, traduz de forma a elevar-se entre os grandes da nossa literatura.

Song, Sleep and the Slow Evolution of Thoughts. Saarbrücken, Lambert Academic Publishing, 2009.

Sidarta Ribeiro

How do brains change their sensorimotor representations of the objects of the world in an adaptive manner, i.e. how do brains learn? In order to experimentally address this question, mapping of the plasticity-associated immediate early gene ZENK was applied to two different neurobiological questions, the memorization of songs by songbirds, and the role of sleep in the consolidation of daytime memories. In chapter one the author shows that NCM, a song-responsive canary forebrain nucleus, carries a well-ordered topographic representation of the species-specific syllabic repertoire. This representation is tuned to natural features of the stimuli, can be modified by experience, and depends dynamically on attention. In chapter two Ribeiro demonstrates that ZENK expression, which is downregulated during slow-wave and REM sleep in the brains of cage-reared rats, is reinduced during REM sleep in the cerebral cortex and the hippocampus of rats exposed to an enriched environment in the preceding waking period. This result can also be obtained by substituting enriched environment exposure for induction of hippocampal long-term potentiation, suggesting that REM sleep that follows an enriched waking experience is a window of increased neural plasticity. Finally, chapter three presents a theoretical effort to set boundaries to the question of what a brain representation, or thought, might be. It is hypothesized that a thought is a self-propagated wave of electrical activity along a particular recursive trajectory in the neuronal matrix. This hypothesis is used to build a plausible historical narrative of the biological evolution of thoughts, which explains many presently disjointed mind and brain facts, with particular applicability to the understanding of learning.

À propósito de águas virtuosas: formação e ocorrências de uma estação balneária no Brasil. Belo Horizonte, Editora da UFMG, 2004.

Stelio Marras

O livro investiga aspectos da formação de uma estação balneária no Brasil em conformidade ao caso de Poços de Caldas, tomado como paradigmático para analisar ocorrências que relacionam política e ciência, familismo e modernidade, magia religiosa e naturalismo médico, curismo e vilegiatura – desde as primeiras notícias, datadas do final do século XVIII, até o declínio da voga das estações já nos anos de 1940, quando a proibição dos jogos de cassino coincide com os avanços da farmacologia. Também considera a ritualística particular das elites brasileiras nos tempos da chamada Belle Époque.

Drogas: Tempos, Lugares e Olhares sobre seu Consumo. Salvador: EDUFBA, 2004.

Tavares, Luiz Alberto; Alba Riva Brito de Almeida; Antonio Nery Filho; Edward MacRae; Olga Sá Ferreira (orgs)

O objetivo da obra é ampliar a reflexão sobre as substâncias capazes de alterar o psiquismo e a conduta dos humanos, colocando-as no eixo de um discurso trans e interdisciplinar.  É discutido o papel da mídia na tentativa de prevenir e reduzir riscos, reconhecendo, contudo, o direito na condução da própria vida.

Guerra e Política nas Relações Internacionais. São Paulo, EDUC, 2010.

Thiago Rodrigues

O livro Guerra e política nas relações internacionaisapresenta uma corajosa abordagem libertária das relações internacionais, escancarando o risco das batalhas e apresentando-se destemido, como um parresiasta, diante das institucionalidades e normativas, para reavivar as invenções na democracia que ultrapassam a moderada condição estipulada pelos procedimentos. Trata-se de um livro precioso aos tempos atuais, não só pelo que provoca noestablishment das Relações Internacionais, mas pela instigante capacidade intelectual de afirmar um outro modo de se analisar o planeta no universo em expansão. Thiago Rodrigues acompanha Foucault sem ser discípulo, problematiza verdades sem pretender ser um dirigente intelectual, aparta-se do consenso de maioria como uma minoria potente. Escreve um livro com o frescor dos jovens iracundos, com rigor e erudição, simples e direto como também é a vida.

Política e drogas nas Américas. São Paulo, Educ/FAPESP, 2004.

Thiago Rodrigues

Política e drogas nas Américas é a publicação em livro da dissertação de mestrado em Relações Internacionais que Thiago Rodrigues defendeu em 2001, junto ao Programa de Estudos Pós-graduados em Ciências Sociais da PUC-SP. A obra divide-se em dois movimentos, sendo que o primeiro – Proibições – investiga a emergência das políticas proibicionistas no início do século XX em países como os Estados Unidos, Brasil, Colômbia, México e Argentina. Ainda nessa parte, são destacados as procedências moralistas das leis antidrogas e o movimento que as operacionaliza como instrumentos eficazes de captura de indivíduos identificados pelos Estados como perigosos ou nocivos à ordem social. Em seu segundo movimento – Tráficos – o trajeto passa a reparar na construção contemporânea do narcotráfico como uma questão de segurança internacional a mobilizar esforços repressivos dos Estados americanos que são, em grande medida, impulsionados pela doutrina da guerra às drogas estadunidense. Em maior detalhe, são analisados os casos do desenvolvimento do tráfico e da repressão a ele na Colômbia, Bolívia e Brasil dos anos 1980 e 1990. Política e drogas nas Américas procura problematizar a defesa internacional da postura proibicionista como a forma única de lidar com a questão das drogas psicoativas, tentando apresentar as motivações políticas (simultaneamente de ordem interna e externa) que fazem com que se sustente um inalcançável projeto de erradicação de práticas sociais relacionadas às drogas

Narcotráfico, uma guerra na guerra. São Paulo, Desatino, 2003.

Thiago Rodrigues

Esse pequeno livro tem como objetivo apresentar ao leitor não especializado as principais questões colocadas pela política internacional de proibição às drogas. Procura, assim, apontar os inícios da Proibição (com toda a força dos movimentos xenófobos e racistas nos Estados Unidos e Brasil), sua disseminação como modelo internacional para tratar do tema das drogas psicoativas ilícitas, o despontar de uma importante economia clandestina – o narcotráfico – e a formulação da doutrina da guerra às drogas pelo governo dos Estados Unidos, o modo de organização e operação das principais organizações do tráfico de drogas e as particularidades dos casos colombiano, boliviano e brasileiro. Em suma, a obra busca levantar questionamentos sobre o modo contemporâneo de lidar com o problema das drogas ilícitas, destacando porque o proibicionismo é um fracasso do ponto de vista de sua meta central (erradicar as drogas), mas um sucesso da perspectiva do controle social e como instrumento para pressões políticas internacionais.

Langue lounge. São Petersburgo, Eter Panji, 2003.

Thiago Rodrigues

Pequeno livro que faz parte da coleção World Visual Poetry, editada na Rússia e que reúne poetas de todo o globo que exploram a visualidade e a poesia fora do verso. O livro traz um conjunto de poemas que misturam idiomas (inglês, francês, espanhol, português) em “peças poéticas” de múltiplas decifrações.

Do “você não pode” ao “você não quer”: uma história da prevenção às drogas na Educação. Curitiba, Prismas e Appris, 2013.

Tiago Magalhães Ribeiro

Na década de 1970 a prevenção ao uso de drogas entrou nos currículos escolares no Brasil. Professores, diretores, supervisores, em suma, os sistemas de ensino foram mobilizados em torno de uma nova demanda no que concerne à formação de sujeitos: a abstinência em relação ao uso de um rol de substâncias tornadas ilícitas algumas décadas antes. A experimentação desse conjunto de drogas, cujos registros remontam aos primórdios da história humana, tornava-se, com esse movimento, uma temática educacional. O objeto deste estudo constitui justamente esse acontecimento da prevenção ao uso de drogas como assunto da área da Educação. Trata-se de uma investigação acerca das racionalidades políticas que convergiram para esse processo de emergência de uma nova forma de pensar e intervir sobre a questão do uso de substâncias psicoativas na contemporaneidade. Nesse sentido, compreender de que maneiras a educação escolarizada se viu investida de uma função social relacionada às práticas de uso de drogas se aproxima, do início ao fim deste trabalho, de uma compreensão acerca dos modos através dos quais, historicamente, as formas de gerir a população têm se transformado, se racionalizado e se implementado por meio de conjuntos de saberes, técnicas, instrumentos e procedimentos diversos. Em outras palavras, compreender como a escola se tornou espaço de prevenção às drogas passa necessariamente por um entendimento em relação a como a população se tornou objeto de intervenções políticas.

Universos Profanos. Rio de Janeiro, Papel Virtual Editora, 2001.

Tom Valença

Um livro que se encontra na fronteira entre a reportagem investigativa e a ficção cotidiana da realidade, podendo ser lido como um volume de poesias, um volume de contos ou como um pequeno romance. Suas páginas mergulham no universo labiríntico da TV da era Big Brother, desvendando os delírios de quem está por tras, afrente e diante da telinha, muito menos como objeto de consumo que como sujeito de tragicomédias contemporâneas.

LIMIAR – Uma década entre o cérebro e a mente

Sidarta Ribeiro

Violência Urbana em Goiás: práticas e representações. Goiânia, Editora Cânone, 2011

Dalva Borges Souza (org.)

Com intuição profética, Anthony Burgess criou em 1962 uma ficção “as queer as a clockwork orange”, expressão que nomeou o livro. A laranja mecânica chegou ao Brasil nos anos 70, seguido pela versão para o cinema de Stanley Kubrick. Era mesmo bizarro o comportamento dos personagens, jovens londrinos bem-nascidos e de gosto refinado, que praticavam a violência urbana por mero prazer. Os leitores tomavam a ficção como tal, tão distante era da sua ordenada realidade, e respiravam aliviados. Poucas décadas depois, a violência, em suas múltiplas faces, tornou-se tão real que hoje, nas cidades, vivemos a mesma insegurança, o mesmo pânico dos indefesos londrinos de então. Violência urbana em Goiás: práticas e representações, organizado por Dalva Borges de Souza, busca traçar um diagnóstico dessa questão em cidades-chave do estado. Nove pesquisadores de Ciências Sociais levantaram dados em treze cidades, com destaque para a Região Metropolitana de Goiânia. Mais do que apenas números estatísticos, procuraram aferir a insegurança e o medo da população, sentimento que hoje acompanha, qual sombra, todo cidadão urbano, vítima e refém desse processo que desafia os estudiosos do tema e os responsáveis pela segurança pública.

Drogas, Política y Sociedad en América Latina y El Caribe. México: CIDE, 2015.

Beatriz Caiuby Labate & Thiago Rodrigues (eds.)

Este libro reúne análisis sobre políticas de drogas en varios países de América Latina y el Caribe, como México, Brasil, Guatemala, Colombia, Perú, Uruguay, Jamaica y Argentina. Los capítulos abordan la historia y especificidad de las políticas de drogas en cada país; así como fenómenos particulares o estudios de casos relacionados a esta temática en el continente. Presenta también algunas reflexiones conceptuales sobre el fundamento de la prohibición y de la llamada “guerra a las drogas”, incluyendo temas como derechos humanos, libertad religiosa y cognitiva. Por fin, el libro pretende pensar el rol pionero de algunos países de la región en el cambio de paradigmas relativos a la actual política internacional de drogas. El objetivo es presentar una obra de referencia, actual y fundamentada, para interesados en temas relacionados a política de drogas en América Latina y el Caribe desde una perspectiva latinoamericana y caribeña.

Drogas: da medicina à repressão policial: Rio de Janeiro de 1921-1945. Rio de Janeiro: Outras Letras, 2015.

Maria de Lourdes da Silva

Como as drogas se tornaram drogas? Quais os objetivos e princípios que tornaram ilícitos a produção, o comércio e o consumo de drogas, antes consumidas sem problema?

Modulações de sentidos na experiência psicodélica: saúde mental e gestão autônoma de psicotrópicos prescritos e proscritos. Curitiba: CRV, 2016.

Sandro Rodrigues

O livro, resultado de um doutorado em Psicologia (UFF), realizado por Sandro Rodrigues no âmbito de uma pesquisa multicêntrica internacional sobre a Gestão Autônoma da Medicação (GAM) – tecnologia de cuidado de usuários de medicamentos prescritos em saúde mental desenvolvida no Canadá e adaptada à realidade da saúde mental brasileira –, articula a aposta clínico-política da GAM na autonomia e na valorização da experiência dos próprios usuários à história de usos científicos, militares, estéticos e culturais de psicodélicos. Além de contribuir, através da partilha de uma sensibilidade psicodélica, para a formação transdisciplinar no campo do cuidado de usuários de psicotrópicos prescritos e proscritos, o livro busca ressaltar a importância, em todo processo de pesquisa-intervenção, de se proceder a uma constante análise de implicações (éticas, estéticas, políticas etc) com o campo e a pesquisa. As implicações do autor com o rock psicodélico, a esquizoanálise, a literatura beat e o antiproibicionismo se expressam no texto por meio de experimentações com a linguagem visando promover efeitos de transformação na política cognitiva hegemônica, ou seja, no modo de se perceber e, consequentemente, abordar o uso de psicotrópicos no contemporâneo.
Conforme escreve Henrique Carneiro no prefácio, “(…) a tensão entre a autogestão e a heterogestão percorre uma narrativa que debate sobre as últimas fronteiras do estado da arte da cultura ciberdélica. Os episódios mais significativos do psicodelismo, com os psicólogos expulsos de Harvard, Timothy Leary e Richard Alpert, iniciando um novo apostolado iniciático em mistérios lisérgicos, encontrando o fascínio do escritor Aldous Huxley pelas portas da percepção, e chegando aos expoentes de um estilo musical que se tornou trilha-sonora dos ‘testes de ácido’, que se espalharam inicialmente como happenings neo-dionisíacos e depois tiveram derivas junkies de excessos destrutivos, são descritos como um pano de fundo para a narrativa atual do trabalho de campo clínico do psicólogo. Sua publicação é uma contribuição inestimável para os estudos sobre drogas no Brasil, vinculando o âmbito psicofarmacêutico com os demais consumos sociais, e traduzindo assim uma sensibilidade psicológica de analista, somada à consciência crítica do ativista e à consciência entusiástica do pesquisador de campo, que não apenas navega na logosfera da biblioesfera ou da ciberesfera, mas vai ao terreno, conhece e olha nos olhos os indivíduos que fazem parte de sua pesquisa e busca compreendê-los não apenas por um necessário distanciamento crítico metodológico, mas também por uma indispensável empatia condoída e compassiva”.

Novas Faces da Vida nas Ruas. São Carlos: EdUFSCar, 2016.

Taniele Rui; Mariana Matinez e Gabriel Feltran (orgs)

Esta coletânea apresenta produções que tematizam a situação de rua na última década (2006-2016), a partir de diversas lentes: das histórias de seus moradores, passando pela assunção e construção política do Movimento Nacional da População de Rua e pelas intersecções entre rua e crack à luz dos diversos dispositivos de atenção, gestão e tratamento mobilizados contemporaneamente. Todos os textos são frutos de pesquisas originais, tecidos a partir do encontro visceral entre pesquisadores, pessoas em situação de rua e operadores de políticas. O intuito é ter a dimensão empírica e política da rua como central para pensar temas como o gerenciamento dos corpos e o controle de vidas nuas nas cidades.

The World Ayahuasca Diaspora: Reinventions and Controversies. Abingdon, England: Rutledge. 2017.

Beatriz Caiuby Labate, Clancy Cavnar and Alex K. Gearin (orgs)

Ayahuasca is a psychoactive substance that has long been associated with indigenous Amazonian shamanic practices. The recent rise of the drink’s visibility in the media and popular culture, and its rapidly advancing inroads into international awareness, mean that the field of ayahuasca is quickly expanding. This expansion brings with it legal problems, economic inequalities, new forms of ritual and belief, cultural misunderstandings, and other controversies and reinventions. In The World Ayahuasca Diaspora, leading scholars, including established academics and new voices in anthropology, religious studies, and law fuse case-study ethnographies with evaluations of relevant legal and anthropological knowledge. They explore how the substance has impacted upon indigenous communities, new urban religiosities, ritual healing, international drug policy, religious persecution, and recreational drug milieus. This unique book presents classic and contemporary issues in social science and the humanities, providing rich material on the bourgeoning expansion of ayahuasca use around the globe.

A Diáspora Mundial da Ayahuasca: Reinvenções e Controvérsias

Este livro investiga como certos grupos religiosos globais alternativos, bem como indústrias de turismo xamânico e ambientes de drogas recreacionais – todos baseados no consumo da ayahuasca, bebida psicoativa tradicionalmente amazônica – englobam vários desafios associados às sociedades modernas. Durante sua expansão da floresta amazônica para as sociedades ocidentais, o uso da ayahuasca defrontou-se com diversas respostas legais e culturais nos países-destino. Neste livro, discute-se esse encontro, em termos de como ele retrata controvérsias contemporâneas relativas à ambivalência religiosa nas sociedades modernas; igualmente, discute-se como surgiram discursos ontológicos e epistemológicos diversos a respeito do uso da ayahuasca e que concorrem entre si, bem como entre eles e o estado. Contempla-se, também, o papel desempenhado pela ciência nos confrontos entre os que consomem a ayahuasca e o sistema legal. Os capítulos incluem investigações etnográficas da prática ritual, da ideologia religiosa transnacional, das políticas de cura e da invenção da tradição. Os autores exploram os efeitos simbólicos da “burocratização do encantamento” na prática religiosa e da “higienização” de rituais indígenas para os mercados turísticos. São igualmente abordadas questões mais amplas relativas à economia global da ayahuasca em termos de noções de comodificação bem como das categorias do sagrado e do profano. Este livro singular explora temas clássicos e contemporâneos nas ciências sociais e nas humanidades, fornecendo um rico material na florescente expansão do uso da ayahuasca em todo o mundo.

La Diáspora Mundial de la Ayahuasca: Reinvenciones y Controversias

Este libro investiga cómo ciertos grupos religiosos alternativos, la industria del turismo chamánico y los entornos de consumo recreativo de drogas que incorporan el consumo de ayahuasca encarnan diversos desafíos propios de las sociedades modernas. Durante su expansión desde la selva amazónica hacia las sociedades occidentales, el uso de ayahuasca se ha encontrado con diferentes respuestas políticas y culturales en los países de destino. Este encuentro es analizado en el libro en términos de cómo pone de manifiesto determinadas controversias contemporáneas relacionadas con la ambivalencia religiosa en las sociedades modernas, y cómo discursos ontológicos y epistemológicos acerca del uso de la ayahuasca, diferentes y en competencia, han surgido entre los usuarios de ayahuasca y entre ellos y el Estado. El papel de la Ciencia y del Derecho en las confrontaciones entre los usuarios de ayahuasca también son contemplados. Los capítulos incluyen investigaciones etnográficas sobre la práctica ritual, la ideología religiosa transnacional, la política de la curación y la invención de la tradición. Los autores exploran los efectos simbólicos de una “burocratización del encantamiento” en la práctica religiosa, y el “saneamiento” de los rituales indígenas para los mercados turísticos. También se abordan cuestiones más amplias sobre la economía mundial de la ayahuasca en términos de mercantilización y las categorías de sagrado y profano. Este singular libro explora temas clásicos y contemporáneos de las Ciencias Sociales y las Humanidades, proporcionando un material abundante y de calidad sobre la creciente expansión del uso de la ayahuasca en todo el mundo.

Drug Policies and the Politics of Drugs in the Americas. Cham, Switzerland: Springer, 2016.

Beatriz Caiuby Labate, Clancy Cavnar & Thiago Rodrigues (orgs)

This book is a collection of studies of drug policies in several Latin American countries. The chapters analyze the specific histories of drug policies in each country, as well as related phenomena and case studies throughout the region. It presents conceptual reflections on the origins of prohibition and the “War on Drugs,” including the topic of human rights and cognitive freedom. Further, the collection reflects on the pioneering role of some Latin American countries in changing paradigms of international drug policy. Each case study provides an analysis of where each state is now in terms of policy reform within the context of its history and current socio-political circumstances. Concurrently, local movements, initiatives, and backlash against the reformist debate within the hemisphere are examined. The recent changes regarding the regulation of marijuana in the United States and their possible impact on Latin America are also addressed. This work is an important, up-to-date and well-researched reference for all who are interested in drug policy from a Latin American perspective.

Políticas de Drogas e a Política das Drogas nas Américas

Esse livro é uma coleção de estudos sobre política de drogas em diversos países da América Latina. Os capítulos aqui presentes analisam a história específica da política de drogas em cada um desses países, bem como fenômenos correlatos e estudos de caso por todo o continente. O livro apresenta reflexões conceituais sobre a origem da proibição e da “Guerra às Drogas”, incluindo o tópico dos direitos humanos e liberdade cognitiva. Além disso, essa coletânea se debruça sobre o papel pioneiro de alguns países da América Latina na transformação de paradigmas da política de drogas internacional. Cada estudo de caso realiza uma análise do estado atual de cada pais em termos de reforma política dentro de seu contexto histórico e das circunstâncias sociopolíticas atuais. Ao mesmo tempo, são examinados movimentos locais, iniciativas individuais e retrocessos contra o debate reformista dentro do hemisfério. As mudanças recentes em torno da regulação da maconha nos EUA e seus possíveis impactos na América Latina também são consideradas. Esse trabalho é uma referência importante, atualizada e bem documentada para todos aqueles interessados em política de drogas a partir de uma perspectiva latino-americana.

Políticas de Drogas y la Política de Drogas en las Américas

Este libro es una colección de estudios sobre la política de drogas en distintos países de América Latina. Los capítulos aquí presentes analizan la historia de la política de drogas en cada uno de estos países, así como los fenómenos relacionados y estudios de caso en todo el continente. El libro presenta reflexiones conceptuales sobre el origen de la prohibición y la “guerra contra las drogas”, no dejando de lado el tema de los derechos humanos y la libertad cognitiva. Además, ésta colección se centra en el papel pionero de algunos países de América Latina en la transformación de los paradigmas de la política internacional de drogas. En cada caso se realiza un análisis de la situación actual de cada país en cuanto a la reforma política dentro de su contexto histórico y las circunstancias socio-políticas actuales. Al mismo tiempo, se examinan los movimientos locales, iniciativas individuales y retrocesos en contra del debate sobre la reforma dentro del hemisferio. También se consideran los cambios recientes en la regulación de la marihuana en los EE.UU. y sus posibles impactos en América Latina. Este trabajo es un referencia  importante, actualizada y bien documentada para todos los interesados ​​en la política de drogas a partir de una perspectiva de Latinoamérica.

“De l’Ayahuasca au Santo Daime”. Paris, France: “Editions Conjonction” 2016

Maria Betânia Barbosa Albuquerque

Expliquer en profondeur l’expérience du Santo Daime est impossible tant elle est unique pour qui la tente. On peut expliquer comme ce livre le fait, son histoire, sa doctrine, son rituel religieux, sa réalité sociale et culturelle, passée et actuelle, mais pas sa compréhension profonde, sauf à en faire soi-même l’expérience.

Je découvris l’Ayahuasca de façon chamanique en 1996 lors d’un court voyage au Pérou et j’en revins bouleversé. Un an après mon retour j’appris l’existence d’un petit groupe de personnes dans le sud de la France qui utilisaient l’Ayahuasca comme sacrement dans le cadre du rituel religieux du Santo Daime. En vérité j’étais plus attiré par l’expérience psychédélique de l’Ayahuasca que par l’expérience religieuse. Je ne fus pas déçu car je recevais la confirmation que : « Quand l’élève est prêt, le Maître arrive ».

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Préface: L’ABC du Santo Daime: De l’ayahuasca au Santo Daime – Claude Bauchet

Prefácio: O ABC do Santo daime: De l’ayahuasca au Santo Daime – Claude Bauchet

Preface: The ABC of Santo Daime: From Ayahuasca to Santo Daime – Claude Bauchet

Cultura, Juventudes e Redução de Danos. São Paulo, Brasil: Córrego, 2014.

Centro de Convivência é de Lei

O livro Cultura, juventudes e redução de danos, realizado pelo Centro de Convivência É de Lei vai ser lançado dia 13 de novembro (sexta-feira), a partir das 18h na Matilha Cultural, em evento que contará também com a exibição do minidocumentário Quase livres e roda de conversa. O livro é resultado de ações desenvolvidas por um projeto selecionado pelo Edital Viva Jovem, cujas metas contemplam ações da sociedade civil no trabalho com jovens em situação de violência para promoção de direitos e diminuição de vulnerabilidades.

Desde que se iniciaram no Brasil as ações na perspectiva da redução de riscos e danos associados ao uso de drogas, existe certa polêmica sobre como seria possível e quais seriam os limites éticos no trabalho com adolescentes e jovens nesta perspectiva”, observa o texto de apresentação do livro. O quanto é lícito oferecer insumos como cachimbos e seringas aos adolescentes e crianças que usam drogas em situação de rua? É necessário separar esse público dos adultos?

Livro

I Fórum Estadual de Redução de Danos do Estado de São Paulo. São Paulo, Brasil: Córrego, 2014.

Aline Godoy. Bruno Ramos Gomes, Marina Sant ́Anna e Roberta Marcondes Costa (orgs)

Este livro traz as vivências do Fórum Estadual de Redução de Danos de São Paulo, que se convencionou denominar de FERD, e as experiências de alguns grupos e instituições que participaram desse processo.

Trazemos aqui o histórico do FERD, desde a sua concepção, implantação e gestão, até a produção de conhecimento resultante dos encontros. Trazemos, também, o relato e as reflexões sobre as práticas de trabalhadores de Campinas, Mauá, Sorocaba e São Paulo, como referências no campo da redução de danos.

Sabendo da impossibilidade de relatar tudo o que fizemos durante os dois anos iniciais do fórum, acreditamos que grandes questões da redução de danos estão aqui, mesmo que algumas, apenas sinalizadas.

Fazemos um convite ao leitor a conhecer um pouco sobre a atuação do estado de São Paulo em redução de danos, e a trazer suas contribuições para os próximos encontros do FERD.

Livro

O consumo de drogas e seus controles: uma perspectiva comparada entre as cidades do Rio de Janeiro, Brasil, e de San Francisco, EUA. Rio de Janeiro, Brasil: Consequência Editora, 2016.

Frederico Policarpo

Este trabalho, de maneira geral, diz respeito ao consumo de drogas no Brasil, em especial na cidade do Rio de Janeiro. Como é tratado o consumo de drogas? O que é feito com os consumidores? Como lidamos com essa questão? Essas são algumas perguntas que me orientaram na construção do problema de pesquisa. Essas perguntas, contudo, podem ser abordadas de diversos ângulos diferentes. Tomo como referência, além do ponto de vista dos próprios consumidores de drogas, os discursos e as práticas do direito e do saber médico na medida em que informam poderosos sistemas normativos sobre as drogas nas sociedades contemporâneas.

Para discutir essa questão, realizei trabalho de campo em lugares que favoreceram o encontro desses conhecimentos distintos – mas não excludentes – acerca das drogas. É o momento, por exemplo, em que um consumidor de drogas é capturado pelas redes do sistema de justiça criminal, seja através de uma abordagem policial nas ruas, seja nos Juizados Especiais Criminais – JECrim. Ou quando ele, por livre e espontânea vontade, procura atendimento médico numa clínica de saúde por conta do consumo que faz. Penso que nessas situações podemos observar com mais facilidade de que maneira os sistemas normativos oficiais afetam os consumidores de drogas e, inversamente, como estes se relacionam com essas normatividades.

O objetivo específico deste trabalho é jogar luz sobre a relação entre esses sistemas normativos e as práticas sociais dos consumidores de drogas na cidade do Rio de Janeiro.

Fumo de Angola: canabis, racismo, resistência cultural e espiritualidade.

Edward MacRae, Wagner Coutinho Alves (orgs)

Composta por 23 artigos, a obra trata de temas que destacam as inter-relações entre maconha e racismo; religiosidade e xamanismo; maconha como “problema de segurança pública”; etnobotânica; toxicomania; “desbunde e caretice”; cultos afro-brasileiros; autocultivo doméstico; e etnografias sobre áreas culturais diversas: Jamaica, México e Himalaia. A coletânea também aponta a maneira como a proibição da maconha e outras drogas funciona como estratégia de controle político e social sobre segmentos considerados “perigosos” em diferentes momentos da história.

Governo Ético-Político de Usuários de Maconha. Curitiba, Brasil: Editora Prismas, 2016.

Tiago Magalhães Ribeiro

Este livro destina-se a todos aqueles interessados em buscar compreender, em sua complexidade, a questão do uso de drogas, em especial da maconha, no Brasil contemporâneo. Para isso, ele deslinda aspectos de uma história da subjetividade de usuários de maconha no Brasil mediante descrições e análises de racionalidades e de tecnologias de governo ético e de governo político que conformam diferentes processos de educação. A obra resulta de uma pesquisa empírica voltada à compreensão, de um lado, de como o uso de maconha foi constituído, no Brasil de início a meados do século XX, enquanto problema pensável e administrável, com a produção, principalmente na psiquiatria e na medicina, de saberes sobre essa droga, seus usos e usuários, o que permitiu um avanço dos controles sociais sobre as práticas de alteração de consciência por meio do uso dessa substância. De outro lado, esta obra propõe uma compreensão de como esse processo de objetivação de sujeitos e de suas práticas em discursos de verdade se relaciona com os modos pelos quais, neste início de século XXI, consumidores de maconha problematizam e atuam sobre si mesmos e sobre os outros, procurando se constituir como sujeitos de suas práticas de alteração de consciência. A partir de fontes de pesquisa que vão de estudos médicos e psiquiátricos a interações entre usuários de maconha em um fórum virtual na internet, analisou-se discursos e práticas de controle e autocontrole, identificando-se como racionalidades e tecnologias de governo policial e de governo liberal das condutas de usuários dessa droga incidiram e incidem diferencialmente sobre sujeitos usuários de maconha, tendo em vista, sobretudo, suas posições de classe e de raça.

 

Peyote: History, Traditions, Politics, and Conservation. Santa Barbara, USA: ABC-Clio / Praeger. 2016.

Beatriz Labate and Clancy Cavnar (orgs)

This book focuses on peyote (Lophophora williamsii), a hallucinogenic cactus containing mescaline, which
grows naturally in Mexico and southern Texas. Mescaline is an internationally controlled substance, though exemptions have been made for the religious use of peyote by indigenous groups in Mexico, and by the pan-indigenous Native American Church with chapters in both the United States and Canada. Currently, natural populations of peyote are in decline, due both to improper harvesting techniques (by licensed and non-licensed harvesters) and environmentally damaging economic activities (mining, agriculture, growing cattle, oil developments). In Mexico, peyote is considered a species requiring “special protection” due to environmental concerns; peyote is also protected under the Convention on the International Trade in Endangered Species (CITES) as a species liable to become endangered.
This collection addresses the delicate relationship between “the needs of the plant” as a species and “the needs of man” to consume the species for spiritual purposes. The chapters also discuss the history of peyote regulation in the United States and the special “trust responsibility” relationship between the American Indians and the government. Under the argument of “equal protection,” different groups have attempted to obtain an exemption for peyote use. As is the case with conservation, multiple stakeholders’ interests are in conflict. The discussion and comparison of diverse legal cases touch upon concepts such as place, ethnicity, identity, and tradition. The expansion of the peyote traditions is used here as a foundation for examining issues of international human rights law and protections for religious freedom within the current prohibitionist system and global milieu of cultural transnationalism. Collectively, this book offers a unique contribution by presenting a dense anthropological description of peyote use in different contexts, and addressing contemporary conservation and legal issues surrounding peyote and its religious use.

 

Peyote: Historia, Tradición, Política y Conservación

Este libro se enfoca en el peyote (Lophophora williamsii), un cactus alucinógeno que contiene mezcalina, que crece de forma natural en México y en el sur de Texas. La mezcalina es una sustancia controlada a nivel internacional, aunque se han hecho excepciones para usos religiosos del peyote por parte de grupos indígenas en México y de la Iglesia Nativa Americana pan-india, que tiene presencia tanto en los Estados Unidos, como en Canadá. Actualmente, las poblaciones naturales de peyote están disminuyendo debido tanto a técnicas inadecuadas de cosecha (por colectores autorizados y no autorizados) como a actividades económicas que dañan el medio ambiente (minería, agricultura, ganadería y desarrollos petroleros). En México, el peyote es considerado una especie que requiere de “protección especial” debido a preocupaciones ambientales. Asimismo, el peyote está protegido bajo la Convención sobre el Comercio Internacional de Especies Amenazadas de Fauna y Flora Silvestres (CITES, por sus siglas en inglés) como una especie propensa a estar en peligro de extinción. Esta colección  aborda la delicada relación que existe entre “las necesidades de la planta” como especie y “las necesidades del hombre” de consumirla para propósitos espirituales. Los capítulos también analizan la historia de la regulación del peyote en los Estados Unidos, así como la relación especial de “responsabilidad fiduciaria” (“trust responsibility”) entre los indios estadounidenses y el gobierno. Bajo el argumento de “protección equitativa”, grupos distintos han intentado obtener una exención para el uso del peyote. Como sucede en materia de conservación, los intereses de las diferentes partes involucradas entran en conflicto. La exposición y la comparación de diversos casos legales abarcan brevemente conceptos como el lugar, la etnicidad, la identidad y la tradición. La expansión de las tradiciones de peyote es usada aquí como el fundamento para examinar asuntos relacionados con el derecho internacional en materia de derechos humanos y protección para la libertad religiosa dentro del actual sistema prohibicionista y el entorno global de transnacionalismo cultural. En conjunto, este libro ofrece una contribución única, ya que presenta una descripción antropológica densa del uso del peyote en diferentes contextos y aborda la conservación contemporánea y los problemas legales que rodean al peyote y a su uso religioso.

Dichavando o Poder: Drogas e Autonomia. São Paulo, Brasil: Autonomia Literária, 2016.

Coletivo Desentorpecendo A Razão (DAR)

Após longos anos de trabalho, estudo e militância pela legalização e mudança da política de drogas, o Coletivo Desentorpecendo a Razão (DAR) apresenta ao leitor esta coletânea de artigos, reunindo e consolidando em um só espaço as principais reflexões da sua caminhada nas trincheiras contra a Guerra às Drogas. Com foco na missão não só de criticar uma guerra inclemente, injusta e fratricida — que lota os presídios e criminaliza principalmente os jovens pobres, negros e periféricos –, os artigos reunidos também pensam nas alternativas concretas experimentadas mundo afora. Trazem relatos dos países que aboliram a “pedagogia do castigo” contra os usuários e críticas à estatização excessiva das soluções. Mirando a saúde, a liberdade e o bem-estar da sociedade, juízes, antropólogos, filósofos, sociólogos, historiadores e movimentos sociais problematizam a forma com a qual a sociedade lida com as drogas no Brasil e apontam possíveis saídas para o atual sistema penal, essa máquina seletiva de moer gente. O DAR, importante ator do movimento antiproibicionista do país, convida todas e todos a entender o cerne de seus argumentos e a se engajar nessa luta estratégica para uma sociedade mais livre.

O livro conta também com ilustrações de André Dahmer, uma versão em quadrinhos para os textos de Walter Benjamin sobre haxixe, feita por Luciano Thomé, e contribuições inéditas relacionadas ao tema elaboradas especialmente para essa obra, escritas por: Paulo Arantes, Maria Lúcia Karam, Henrique Carneiro, Maurício Fiore, Paulo Malvasi, Adalton Marques, Rafael Zanatto, Thamires Regina Sarti, Bloco Feminista da Marcha da Maconha de São Paulo (com colaboração da Ala Feminista da Marcha da Maconha do RJ e de feministas da Marcha de Santos), Ilana Mountian, Isabela Bentes, Carlos Eduardo Torcato e Núcleo Álcool, Drogas e Medicalização do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo.

Sharing This Walk: An Ethnography of Prison Life and the PCC in Brazil (Edited and translated by John Collins). Chapel Hill: University of North Carolina Press, 2016.

Karina Biondi

The Primeiro Comando do Capital (PCC) is a São Paulo prison gang that since the 1990s has expanded into the most powerful criminal network in Brazil. Karina Biondi’s rich ethnography of the PCC is uniquely informed by her insider-outsider status. Prior to his acquittal, Biondi’s husband was incarcerated in a PCC-dominated prison for several years. During the period of Biondi’s intense and intimate visits with her husband and her extensive fieldwork in prisons and on the streets of São Paulo, the PCC effectively controlled more than 90 percent of São Paulo’s 147 prison facilities. Available for the first time in English, Biondi’s riveting portrait of the PCC illuminates how the organization operates inside and outside of prison, creatively elaborating on a decentered, non-hierarchical, and far-reaching command system. This system challenges both the police forces against which the PCC has declared war and the methods and analytic concepts traditionally employed by social scientists concerned with crime, incarceration, and policing. Biondi posits that the PCC embodies a “politics of transcendence,” a group identity that is braided together with, but also autonomous from, its decentralized parts. Biondi also situates the PCC in relation to redemocratization and rampant socioeconomic inequality in Brazil, as well as to counter-state movements, crime, and punishment in the Americas.

 

Junto e misturado: uma etnografia do PCC. São Paulo: Editora Terceiro Nome 2010.

Karina Biondi

As principais avenidas de São Paulo nunca estão desertas. Não posso enumerar os motivos que levam as pessoas a ganharem as ruas durante a madrugada, mas um deles conheço bem: é o dia de visita nas cadeias”. Com estas palavras, a antropóloga Karina Biondi inicia sua obra e conduz o leitor por um universo pouco conhecido, controverso e impossível de ser ignorado: o do Primeiro Comando da Capital, ou PCC, e sua história, modo de funcionamento, ética e organização política. “As reflexões presentes nesse livro são fruto de experiências vivenciadas em várias unidades prisionais e também fora delas, reunidas, contudo, com vistas a conferir alguma inteligibilidade aos acontecimentos”, explica a autora. O livro faz parte da Coleção Antropologia Hoje, iniciativa do NAU – Núcleo de Antropologia Urbana da USP e da Editora Terceiro Nome.

Terceiro Nome